segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Espelhos


Quando você acha que finalmente reencontrou a felicidade e se atira a ela como se fosse o único pedaço de corda capaz de te salvar do penhasco sem fim da solidão é que ela, como num passe de mágica, some. É como se a corda arrebentasse logo depois de você ter tido certeza de que era bem firme.

...

Solidão, segundo Hermann Hesse no Lobo da Estepe, é o lado negativo da tão sonhada e desejada liberdade. Imagine uma pessoa que mora sozinha, independente e distante dos pais, sem parentes por perto e solteira. Ninguém para dar satisfações, ninguém para te ligar quando já são 4h00 da manhã de segunda para terça e você ainda não deu as caras em casa. Essa pessoa pode fazer qualquer coisa a qualquer tempo, ela é livre!
Sim, mas também é só.

Em determinados momentos a solidão parece não mais que uma dor muito forte porém efêmera, como quando você bate o dedinho do pé na quina de um móvel, mas não é bem assim. Você pode até se esquecer da dor quando sai com seus amigos e joga a conversa pro ar, mas quando chega em casa e tudo que você vê no espelho da liberdade é você e só você é que é possível ver o tamanho do tumor que toma conta do seu corpo.

É difícil olhar para fora e entender o que há de errado. Por que existem tantas pessoas que não tem a mínima dificuldade em encontrar outra pessoa para se dividir, mesmo que seja algo fútil e passageiro? Por que outras pessoas parecem ter encontrado o par perfeito aos 20 e poucos anos? Por que aquela pessoa feia e/ou estúpida consegue ter um relacionamento e eu não? Só pode ter alguma coisa de errado com o mundo. Não... tem alguma coisa de errado comigo. Mas o que é?

Será que sou bonzinho demais ou sincero demais? E o que tem de errado nisso? Isso deveria ser um fator positivo e que atraísse as pessoas para o meu lado e não o contrário. Simplesmente não posso mudar meu jeito de ser só para ser aceito pela maioria da sociedade que não suporta ver nada mais que imagens retorcidas do seu próprio ser no espelho da realidade.

Às vezes eu acho que estou reclamando demais. Isso acontece, por exemplo, quando eu vejo uma pessoa com dificuldade de locomoção indo ao trabalho, estudando, ou simplesmente andando por aí como se nada o atrapalhasse – e isso é admirável. É nessas horas que eu me redimo e penso que os meus problemas não são nada perto dos reais problemas dos outros. E talvez seja aí que está o meu erro. Talvez eu deva pensar mais em mim e tentar entender o que realmente acontece e o que eu preciso melhorar.

Talvez seja o momento de me confrontar, de construir dois espelhos de mim mesmo: o Homem e o Lobo, o branco e o negro. Essa divisão dualista é considerada uma simplificação rasa da personalidade humana segundo as doutrinas orientais, mas o que eu busco não é me apoiar em qualquer um dos espelhos, o que eu realmente procuro é a área cinza, o terceiro espelho que só eu mesmo posso construir... ou destruir.

sábado, 20 de novembro de 2010

Situação real


Ontem, no trampo, eu estava fazendo um negócio muito chato e repetitivo, mas é daquelas coisas que precisa de foco, sabe? Tratei de colocar meu fone de ouvido e ligar meu mp3 no talo. Pois bem, lá estava eu, ouvindo minha música e balançando a cabeça conforme o ritmo, quando de repente olho para o lado e vejo que tem alguém tentando falar comigo:

- Desculpa cara, o que vc falou?
Eis que o cara me olha com uma cara de espanto:
- Pô Rafa, to falando aqui faz tempo e vc não ouviu nada? Quer dizer que eu falei esse tempo todo sozinho?
- Desculpa, é que eu tava ouvindo minha música muito alto aqui, nem percebi que tinha alguém falando comigo.
- Porra cara, eu desabafando sobre a minha vida e vc nem prestou atenção!
- É cara... agora vc sabe como uma mulher se sente.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tapa na orelha


Bom, já falei dos discos que moldaram meu gosto musical ao longo dos anos, mas e o que tá rolando agora? Quais as novas bandas que eu ouço e recomendo?
Vamos aí pra série de posts!


Cascadura

Cascadura é uma banda baiana que... pera aí! Bahia?? É, Bahia. Sem axé, sem reggae, sem samba, sem putaria. Cascadura é rock straight to the point, em português e sem zabumba, cuíca, berimbau ou essas "brasileirisses" toscas que só interessam aos gringos e aos "descolados" de plantão.

E o que eu recomendo pra vocês? Olha, eu só conheço os dois últimos discos dos caras, mas mesmo assim acho que os caras merecem uma baita atenção.

O terceiro disco, Vivendo em Grande Estilo, é um disco com ótimas músicas e que nos mostra muitas influências do Fábio Cascadura e sua turma, mas pra mim ainda falta aquela consistência que une todo o disco e um pouco de originalidade.

O primeiro grande destaque do disco é a segunda faixa, Retribuição. Apesar de ela me lembrar muito Led Zeppelin por causa do riff principal e da levada na maior parte da música, o refrão é uma obra prima: tem um solinho de guitarra ao fundo que parece conversar com a voz e que ficou ótimo. E a segunda parte do solo de guitarra também é muito boa.
Ah, detalhe, o guitarrista do Cascadura nessa época era o Martin, que hoje toca com a Pitty! É... quebre seus preconceitos: o cara manda muito bem!


Mãe da Garota é uma música mais ao estilo Velhas Virgens, mas sem descambar pra putaria direta. Bom como o próprio nome diz, a música trata de uma sogra gostosona que dá em cima do genro. A música é muito divertida e tem um arranjo bem bacana. Mas de novo, parece que você já ouviu isso em algum lugar.

Não Posso Julgar Ninguém já aponta a direção que o Cascadura iria seguir no seu próximo disco. Aqui temos um arranjo original, uma letra que trata do cotidiano e que faz você se identificar rapidamente, além de oferecer uma reflexão bem simples sobre a situação. Talvez seja tão simples que faz você realmente pensar sobre o assunto.

Outras músicas interessantes do disco são Queda Livre e Gigante.


Mas é o quarto disco dos caras, o Bogary, que me fez correr atrás da banda e ficar na pilha de ver um show do Cascadura. É realmente a obra-prima deles. Aqui, tudo soa original e as músicas tem um mesmo clima. Tudo está muito bem arranjado, mas acho que o grande destaque aqui são mesmo as letras: bem construídas, diretas, simples e ainda assim profundas.

Pra mim, a melhor faixa do disco é Senhor das Moscas, que é inspirada no livro homônimo. Musicalmente falando é um tapa na orelha muito bem orquestrado e que dá vontade de sair berrando durante o refrão, mesmo quando você está no ônibus ouvindo o som no seu MP3. Puta energia.


O Centro do Universo é uma música particularmente dolorosa. Ela fala de um amor perdido. Mas não é aquela dor de cotovelo emo. Não. É coisa de gente grande: a história de um cara que perdeu a sua menina porque foi muito egoísta, acha que tudo é culpa dela e que um dia ela vai voltar pra ele, pedindo desculpas. É pessoal... eu já tive essa ilusão um dia, mas passou depois que eu encarei a situação real.

Caim é uma música interessante, mas acho que o acaba estragando um pouco ela é justamente o refrão alegrinho. Ainda assim, o verso tanto musicalmente quanto liricamente falando é sensacional, um pacote fechado que transmite exatamente o que a música pede.

Mesmo Eu Estando do Outro Lado é uma baladinha fácil com uma letra muito bem montada. Pra mim ela conversa muito com O Centro do Universo: é como se o carinha tivesse tomado coragem e ligado pra menina, tentando uma reconciliação (eu realmente fiz isso). A música refletia exatamente a minha situação na época e talvez por isso pareça tão boa assim pra mim.
Foi graças a esse telefonema aí que eu desencadeei um processo que me livrou de um dos maiores fantasmas da minha vida...

Onde Aprendeu a Andar é uma música que transmite uma maturidade assustadora. Logo na primeira audição não dá pra entender direito do que se trata, mas quando você pega a ideia e reflete sobre ela, percebe que o gênio é a pessoa que aborda os temas mais universais das maneiras mais simples, tão simples que podem até machucar. Parabéns ao Fábio Cascadura aqui, de verdade.


Contra-luz é uma música que pode te dar um belo soco na boca do estômago se você estiver naquela fase do relacionamento onde as conversas entre o casal não passam de mera formalidade, onde um apenas suporta a presença do outro, onde você só está com a pessoa por comodismo, por inércia, e não por realmente querer a sua companhia. Outra que diz muito sobre o meu passado...

Ele, o Super-herói foi a primeira música do Cascadura que eu ouvi e a que me despertou o interesse pela banda - vi o clipe na MTV e já saí correndo atrás do som dos caras pela net. Musicalmente você poderia dizer que o som se aproxima de um punk, dos bons, mas a letra mais uma vez é muito boa. Já imaginou como um super-herói se sente? Como ele tem que esconder seus medos e suas fraquezas sistematicamente todos os dias? Como tem que fingir que é sempre o melhor, o mais correto? Mas será que é isso que ele realmente queria ser?

Desconsolado é, de longe, a letra mais ousada do disco e sem dúvida uma das melhores. O instrumental aqui é um mero reforço para a letra que fala "desse Deus de medo e castigo. E o medo pra mim é a danação"...



Pronto, curtiu? Então vai ouvir!

domingo, 19 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!) - pt. 5


5. The Hellacopters - High Visibility



Esse é o último post dessa série e é sobre um disco que não mudou minha concepção de música como os anteriores, mas com certeza é um dos que eu mais ouvi na minha vida, se não for O mais ouvido.

Um dia, quando eu ainda tinha uns 16 anos eu estava assistindo à MTV, quando eu vi o clipe acima pela primeira vez. Quando ele terminou, eu estava ofegando - fiquei impressionado com a energia da música dessa banda que eu nunca tinha ouvido falar... difícil era lembrar o nome dos caras pra correr atrás do CD depois. Tive que anotar num pedaço de papel: Hellacopters - High Visibility.

O High Visibility inteiro tem um quê de Hard Rock dos anos 70, mas não tem aquela afetação típica nos vocais e nem aqueles vazio nas bases das músicas pesadas no estilo do Kiss. É... acho que é isso, parece anos 70, mas eu não tenho uma referência pra falar "olha, parece Led Zeppelin com AC/DC" não... parece Rock e do bom. Ponto.

Não espere ouvir aqui letras muito profundas ou que façam você refletir sobre algum assunto. Não, o negócio aqui é diversão, do início ao fim, sem muito compromisso, mas com ótimos solos de guitarras, um piano bem presente (isso, PIANO, não tecladinho-pentelho-anos 80), baixo bem feito e melodias fáceis, no melhor sentido possível.

Toys and Flavors, essa música que explodiu minha cabeça, foi o primeiro grande hit do Hellacopters mundo afora e também meu primeiro contato com essa banda sueca. Sim, sueca. É uma música que destaca bem todos os instrumentos, sem a burocracia de um Dream Theater, por exemplo ("ok, depois do solo de guitarra, vem o de baixo e daí o de teclado"), e além disso tem um refrão grudento demais.

Outra que foi single e que merece atenção é No Song Unheard. Pode-se dizer que é uma baladinha, mas não tem nada de muito amor aqui, a música é desacelerada e bonitinha, e só. Acho que talvez seja uma daquelas poucas baladas sinceras. O solo de piano em conjunto com a guitarra é a passagem mais bonita do High Visibility - uma coisa tão simples e tão sutil, mas que tem um feeling impressionante.

Outras músicas que destaco são Hopeless Case of a Kid in Denial, You´re Too Good (to me Baby), Throw Away Heroes e A Heart Without Home - essa com solo de duas guitarras ao mesmo tempo, não no estilo guitarras gêmeas do Iron Maiden, mas no estilo sangue nos olhos e "deixa eu solar também, porra!".

Resumindo: quer um disco de Rock bem animado, fácil de ouvir e com guitarras no talo? Anota aí: Hellacopters - High Visibility



sábado, 18 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!) - pt. 4


4. Queens Of The Stone Age - Songs For The Deaf



Antes de começar, gostaria de dizer que este post será mais longo e mais detalhado que os anteriores. Por quê? Muito já se falou sobre Beatles, Iron Maiden e Led Zeppelin, mas não existe tanto material assim sobre Queens Of The Stone Age e talvez você nem conheça a banda, então achei bacana dar uma destrinchada no assunto.

Eu sempre tento fugir do óbvio quando coloco vídeo para vocês assistirem, mas dessa vez não teve jeito. Go With The Flow é o melhor clipe do QOTSA e um dos meus favoritos de todos os tempos, tudo isso porque eu acho que é um dos poucos vídeos que captura perfeitamente o clima da música, isso sem falar dos efeitos, que são fenomenais.

Bom, mas e o álbum? O álbum é igualmente fantástico, difícil de digerir numa primeira audição, mas depois que você se acostuma com os padrões bizarros da banda, o negócio vai fácil. Ah, e antes que eu esqueça quem toca bateria nesse disco é o Dave Grohl, que mostrou nesse registro porque é considerado um dos melhores bateristas do mundo.

O Songs For The Deaf me abriu os ouvidos pra um som completamente novo e contemporâneo, coisa que até então eu era avesso, achando que só o antigo era bom. Graças ao QOTSA eu não sou uma viúva do Rock.

O disco pode ser considerado conceitual de certa forma, não porque conta uma história ou porque todas as músicas abordam um mesmo tema, mas sim porque o clima do CD é o mesmo nas 13 faixas que o compõe (na versão Deluxe são 15, com a inclusão da sensacional Mosquito Song). Além disso, as vinhetas são inspiradas numa viagem de carro que o Josh Homme (líder da banda) fez, retratando as várias estações de rádio que ele ouviu pelo caminho.

Antes de começar a escrever sobre os destaques, acho legal dividir as faixas em três grupos: as que são cantadas pelo Josh (6 músicas), as do Nick Oliveri (4 músicas) e as do Mark Lanegan (ex-Sreaming Trees) (3 músicas). A Song For The Deaf tem os vocais do Josh e do Mark, mas creditei pro primeiro porque é quem canta na maior parte da música.

Todos os singles do Songs For The Deaf são músicas do Josh, dentre eles o maior hit da banda, No One Knows, a já citada Go With the Flow e First It Giveth.

Duas músicas que têm o Homme nos vocais e que merecem bastante destaque são The Sky Is Falling e Song For The Deaf. Acho que o grande destaque da primeira é a combinação perfeita entre melodia e letra, extremamente densa e bem escrita. Destaque também para a discrepância entre o peso do instrumental e a leveza da melodia - ao final da música nem dá pra perceber que ela é tão pesada ou tão melodiosa...

Song For The Deaf, a música, é uma obra prima. A letra é extremamente bem construída e a melodia é linda. Por outro lado o instrumental é extremamente pesado e sinistro. A partir do solo de guitarra é possível ouvir uns gritos ao fundo - isso me traz à cabeça um passeio pelo inferno, num cenário avermelhado e é claro com um pouco de fogo por aí.

Eu diria que as músicas do Nick não contribuíram tanto para fazer desse álbum um dos meus preferidos de todos os tempos. Metade das que ele canta são berradas, não são ruins, mas também não são daquelas que você vai querer colocar no repeat. A minha preferida na voz do careca peladão do Rock In Rio III é Another Love Song.

Já as músicas do Lanegan estão entre as minhas preferidas do disco, acho que a Hangin´ Tree é a mais fraquinha.

Song For The Dead é um tapa bem dado na orelha. Já começa com a introdução fodástica de bateria, tem uma letra macabra e um vocal arrepiante. Impressionante como essa música ganha ainda mais força ao vivo.

God Is in the Radio é um blues extremamente pesado com ótimos solos de guitarra e tem o melhor refrão do CD inteiro - foi justamente com essa que eu comecei a "engolir" o disco. Segue de brinde pra amaciar os tímpanos:


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!) - pt. 3


3. Led Zeppelin - IV


Led Zeppelin foi e continua sendo uma das minhas maiores influências na música, desde a primeira vez que eu escutei Whole Lotta Love até hoje. Da chamada trindade do Rock clássico (incluindo também Black Sabbath e Deep Purple), o Zeppelin é a minha banda favorita. Não só pela maior diversidade entre as suas músicas mas também pela variedade de temas nas letras.

Enquanto o Sabbath busca explorar temas fantásticos (NIB, Iron Man) ou fazer críticas político-sociais (War Pigs, Sabbath Bloody Sabbath) e o Purple já não tem tanta preocupação em passar alguma mensagem nas suas letras (Smoke on the Water, Space Trunckin´), o Led Zeppelin não se importa de explorar uma gama de temas que vai desde o non-sense (The Crunge) até as mais belas poesias (Stairway to Heaven) passando por ótimas canções de amor (Since I´ve Been Lovin´ You).

E o que tem de tão especial nesse disco? Bom, pra começar o IV é recheado com alguns dos maiores clássicos do Led, tais como Black Dog, Rock And Roll e a já citada Stairway to Heaven, além das ótimas porém menos conhecidas The Battle Of Evermore e Going To California.

Outro ponto que chama a atenção é o clima do álbum. Nos dois primeiros discos o Led Zeppelin temos uma maior quantidade de músicas pesadas, no III a maior parte das músicas são calmas, inclusive tem várias acústicas ali. No IV isso já está mais equilibrado, e essa alternância entre ritmos faz com que o tracklist fique mais fácil de se ouvir.

Por fim, chamo a atenção pra capa do IV. É uma parede de uma casa abandonada, com o muro quebrado, bem no meio da parede que ainda está de pé há o quadro de um velhinho no campo. Do outro lado do muro é possível ver uma cidade do interior da Inglaterra. Acho que essa dicotomia cidade/campo é a melhor foto pra esse álbum do Zeppelin.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!) - pt. 2


2. Iron Maiden - The Best of the Beast


Esse disco foi minha porta de entrada pro Rock. Antes, eu era meio perdido na música, até ouvia um pouco de tudo, mas nada realmente me cativava de verdade. Até que um amigo meu comprou essa coletânea...

Eu tinha 14 anos e me recusava a ouvir o CD, porque tinha um certo receio dessas bandas de "rockeiros doidões e do mal". Mas um dia não teve jeito e fui "obrigado" a ouvir Iron Maiden. E não é que gostei? Pela primeira vez eu ouvia uma banda que dava ênfase ao instrumental, pela primeira vez eu notava que aquilo fazia realmente alguma diferença na letra e no clima da música. E o quão eu fiquei impressionado por aquele berro do vocalista no meio da música? Enfim, fiquei muito impressionado com aquilo tudo logo na primeira faixa: The Number of the Beast.

O Iron Maiden me abriu os portões do Rock. Abriu caminho para um estilo de música onde todos os assuntos podem ser abordados: desde religião até guerras (às vezes dá na mesma, né?), de amor à pura cólera, dos temas simples às reflexões mais complexas, etc.

Outras músicas que eu recomendo desse CD são: Fear Of The Dark (live), Run To The Hills, The Evil That Men Do, Aces High, 2 Minutes To Midnight, Wasted Years, The Trooper e Hallowed Be Thy Name. Tá citei metade do CD porque é coletânea... sorry!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!)


Vi que um amigo meu, o @ericktex, fez uma lista dos álbuns mais importantes pra ele. Na real é mais uma corrente do Facebook com regrinhas e tudo o mais.

Bom, como não sou o maior fã de Facebook, decidi colocar minha listinha aqui até porque aqui posso fazer do meu jeito. Além do nome do álbum e da banda vou colocar também um comentário e um vídeo de cada um pra que vocês possam saber do que eu tô falando e não fiquem viajando.

Ah, só lembrando, essa é a lista dos álbuns mais importantes pra mim e só pra mim. Não to querendo dizer que são os melhores discos do mundo, mas sim que fizeram diferença na minha vida.

1. The Beatles - Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band



Beatles é minha banda favorita e eu escolhi o Sgt Pepper´s não porque é considerado pela crítica como o mais importante disco dos Beatles e até mesmo da história do Rock, mas sim porque foi o primeiro disco deles que eu ouvi. É claro que eu já tinha ouvido várias músicas dos caras de Liverpool, eu inclusive tinha aquela coletânea "1", mas não é nem de longe a mesma coisa.

Se você é da turminha que não gosta de Beatles, vou te dizer uma coisa: 80% das pessoas que não gostam da banda, não a conhecem de verdade. Mas aí você vai me dizer "mas eu conheço Hard Day´s Night, Can´t Buy Me Love, Yellow Submarine, Get Back, etc.". E eu te digo que quando eu conhecia essas músicas eu também não gostava de Beatles também.

Sgt Pepper´s foi minha jogada "all-in" com os Beatles. Eu tinha lido no Whiplash! sobre a importância que o disco teve pra história do Rock e todas as histórias que o rodeiam e me interessei ( se tiverem interesse, leiam: http://tinyurl.com/2whes6b). Vi o CD pra vender numa promoção e pensei "é agora ou nunca". E foi naquele momento, quando eu terminei de ouvir o disco, que eu virei fã dos caras.

Bom e por que ele é o mais importante pra mim? Porque ali eu percebi que uma banda não deve ter medo da sua própria música, a criatividade não deve ter limite. Sua banda quer gravar um disco fingindo que é outra banda? Então grava! Quer colocar barulho de animais nas suas músicas? Coloca. Quer gravar uma música só com instrumentos indianos? Vá em frente! Quer compor uma música baseada numa notícia de jornal? Compõe! Aliás é essa aí que está no vídeo: She´s Leaving Home.

Eu poderia ter indicado algumas mais famosas como Lucy In The Sky With Diamonds, With a Little Help From My Friends (é, aquela música que tocava no início do Anos Incríveis na versão do Joe Cocker) ou A Day In The Life. Mas acho que She´s Leaving Home é das mais fortes do disco, principalmente por causa da letra que conta a história de uma menina que foge de casa onde tinha todo luxo para buscar a única coisa coisa que ela não tinha: diversão.

Fun is the one thing that money can´t buy
...

Bom, pra garantir a qualidade do texto, eu continuo amanhã.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O velhinho e o quadro


Às vezes a gente reclama da nossa má sorte e como tudo parece dar errado pra nós, não é? Mas quando você estava por aí chutando as pedras e andando emburrado pelas ruas, já se deparou com alguém que realmente enfrenta uma baita dificuldade todo dia e ainda assim é feliz?

Quero dizer, você já viu alguém com uma deficiência quando você está revoltado? Eu já vi e vou dizer que senti vergonha de mim mesmo.

Uma vez, quando eu estava de saco cheio do meu antigo emprego de telemarketing, da faculdade e de ter que pegar aquele trem da Barra Funda até a Lapa, eu encontrei um grupo de cegos conversando animadamente sobre como eles estavam aprendendo muito na aula de braille.
Eu reclamando das minhas coisas.

De vez em quando, encontro o mesmo cara com deficiência física no caminho para o trabalho. Ele faz um esforço tremendo pra andar e mesmo assim está sempre bem arrumado e nunca se atrasa para os compromissos que ele assumiu.
Mas eu me atraso, porque tenho preguiça de levantar da cama.

Fui atendido numa loja de roupas por uma mulher que só tinha um braço, o outro só ia até o cotovelo. Era sábado, ela estava de muito bom humor.
Aquela mulher sabe dobrar roupa melhor que muita gente que eu conheço (me incluo nessa lista).

Você já viu alguém com Síndrome de Down trabalhando numa barraquinha de feira no domingo? Eu já, e vou te dizer, ele faz um baita esforço pra poder te dar o melhor atendimento possível e presta muita atenção no que faz.
Quantas vezes você já deixou de fazer o seu serviço direito só porque estava com preguiça de pensar um pouco?

Agora vamos falar de uma outra deficiência, a de tempo. Aquela de que todos os idosos sofrem. Com certeza você tem um avô ou avó que você acha mala, ou então conhece alguém nessa situação, certo? Vou contar uma história que aconteceu comigo e me abriu a cabeça:

Um dia eu entrei no ônibus e estava com pressa. No caminho pra minha poltrona acabei tropeçando num quadro que um velhinho estava levando consigo (provavelmente um presente para seus filhos ou netos). Parei, olhei pro velho e vi que ele estava puxando o quadro mais para si. Pedi desculpas. Ele deu um sorriso amigável, disse que não tinha problema e...
Eu passei reto e fui me sentar. Só depois de uns minutos eu percebi que aquele velhinho ia me dizer alguma coisa sobre o quadro, pois quando segui em frente ele parecia ter começado uma frase com "esse quadro aqui é..."

O raio que partiu minha cabeça nesse momento me chamou a atenção pro fato de como o tempo pareceu passar de forma diferente para nós dois. Eu, que tenho muito tempo pela frente, estou sempre tentando pular os momentos ditos inúteis, mas o velhinho, que tem pouco tempo e é muito mais sábio que eu, aproveita todos aqueles que lhe restam.

A próxima parada do ônibus só aconteceria daqui a 4 horas e mesmo assim o velhinho foi sozinho visitar seus parentes e levou um presente. Talvez ele tenha comprado o quadro, ou talvez tenha pintado o quadro, talvez aquele quadro tinha alguma mensagem importante para família... Infelizmente eu nunca vou saber. Mas com certeza, tudo que ele queria dizer com aquela viagem e com o presente era que amava seus parentes.
E ainda assim corria o risco de ser chamado de chato pela família.

Agora vocês conseguem entender meu ponto?
Quem suporta as maiores dores são aqueles que não as deixam transparecer. São aqueles que não reclamam da má sorte, são aqueles que acordam e realmente têm que enfrentar as maiores dificuldades do mundo quando se levantam.

Apesar de tudo, eles são capazes de lhe oferecer sorrisos amigáveis quando cruzam o seu caminho...

Dúvidas


O que acontece quando você diz adeus e a pessoa não entende?

O que acontece quando tudo o que você quis dizer com aquilo era "desculpa, não consigo te dar o que você merece. Melhor você seguir em frente"?

O que acontece quando você arranca um pedaço da sua própria alma e oferece pra alguém que despreza o seu ato porque não entende?

O que acontece quando você olha pra trás e vê que você simplesmente deveria ter dividido o fardo ao invés de colocar todo o peso nos seus ombros?

O que acontece quando alguém simplesmente destrói tudo aquilo que você construiu com tanto suor e sangue?

O que acontece quando os olhos verdes desbotam na falta de esperança?

O que acontece quando você acha que finalmente encontrou alguém que pode fazer o dia nascer de novo?

O que acontece quando essa pessoa está tão perto mas tão longe? Quando a situação inteira é adversa?

O que acontece quando você conversa com a pessoa e descobre coincidências incríveis e uma grande facilidade pra conversar que você nunca viu?

O que acontece quando você tem medo de que você nunca mais consiga construir tudo aquilo de novo, simplesmente porque suas veias já estão secas?

O que acontece quando... todo o tempo passar?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O MP3 e a música: Entendendo a polêmica - pt3, Novos Horizontes


Em 2008, quando fazia pesquisas para o meu TCC, "MP3 e a Indústria Fonográfica", me deparei com um modelo de negócios que ainda estava em projeto: o Álbum Virtual, da Trama.

A ideia é genial, simples e, como não poderia deixar de ser, adaptada de um antigo modelo que funciona muito bem, o da TV aberta. Achou estranho? Vou explicar.

Você não paga nada para assistir à TV aberta, certo? Quem paga são as empresas que compram espaço na programação para anunciar seus produtos e serviços. Pois é, com o Álbum Virtual é a mesmíssima coisa: você não paga nada, mas a empresa que colocou o anuncio banca.

O primeiro álbum do projeto foi o Danç-Êh-Sá ao Vivo, do Tom Zé, ainda em 2008, atualmente são 108 álbuns lançados nesse modelo, incluindo aí Ed Motta, Elis Regina, Nação Zumbi, Cansei de Ser Sexy, Móveis Coloniais de Acaju e Macaco Bong (considerado por muitos um dos melhores discos de 2009).

No site do Álbum Virtual, http://albumvirtual.trama.uol.com.br, você pode ouvir o disco em streaming, ver o encarte, e é claro, baixar o conteúdo grátis. Vem até um PDF com o encarte completo e a bolacha pra imprimir e colar no CD-R, se você resolver gravar.

Segue abaixo o exemplo com o Móveis Coloniais de Acaju.
Divirtam-se!









sábado, 10 de abril de 2010

Woodstock no Brasil?!


Rolam boatos por aí de que vai haver um Woodstock 2010 em terras brasileiras em Outubro.

Chocado? Extasiado? Não acredita nem a pau?
Vamos às informações que temos até agora.

Segundo o Vírgula (http://tinyurl.com/ycdmu45), o festival está marcado para os dias 7, 8 e 9 do décimo mês deste ano numa fazenda em Itu.
De acordo com o site, o evento é uma parceria do produtor do Maquinaria com o Perry Farrel (do Jane´s Addiction e produtor do Lollapalooza) e Michael Lang (um dos idealizadores do evento original).

Tá, mas e as bandas?
Nada confirmado ainda, mas segue a lista das mais cotadas ainda segundo o site: Green Day, Linkin Park (quase confirmados), Limp Biskit, Smashing Pumpkins, Rage Against The Machine, Bob Dylan (!), Pearl Jam e Foo Fighters.

Eu realmente achava beeem difícil de acreditar. Só essas 5 últimas bandas juntas já fazem um line-up do caralho, capaz de bater de frente com Rock Am Ring, Bizarre Festival, Pinkpop Festival e Big Day Out. Se continuar assim, capaz de sair melhor que o original!

Ainda não acredita, né? Então olha só esse link no site do Pearl Jam:
Nessa seção do site, eles colocam os setlists de todos os shows que eles fizeram em cada ano. E tem uma parte dedicada ao ano de 1969.
Pros mais desavisados, o Woodstock Music & Art Festival, ou simplesmente Woodstock aconteceu nos dias 15, 16 e 17 de agosto do mesmo ano em que o homem pisou na Lua.

Abaixo, o vídeo que pra mim é o símbolo do verdadeiro Festival de Woodstock: Jimi Hendrix com a sua literalmente bombástica versão do hino dos EUA.