sábado, 14 de novembro de 2009

O MP3 e a música: Entendendo a polêmica - pt2, A História


Poucas pessoas sabem, mas o MP3 nasceu há mais de 20 anos. Mais precisamente em 1989, a alemã
Fraunhofer IIS-A registrou a sua patente. Seis anos mais tarde, a patente foi registrada nos EUA e a empresa buscou produtores independentes de software para desenvolver o seu produto, eis que em 1997 surge o Winamp e em 1999 o Napster e o primeiro MP3 player, o MPMan (com apenas 32 MB de memória).

Antes de continuar, vai uma breve explicação sobre como funciona este formato:

O MP3 foi concebido através de estudos sobre a audição humana: o som possui freqüências altas (agudas) e baixas (graves), mas o ouvido humano não consegue captar todas elas, foi então que surgiu a genial idéia de "cortar" ou, num termo mais técnico,
comprimir estas freqüências, deixando apenas aquelas audíveis ao ouvido humano - daí o tamanho reduzido do MP3 em relação a outros formatos, o que o tornou o formato preferido dos internautas sedentos por música. Dito isto, podemos prosseguir.

Em 1999 as gravadoras viam o MP3 como um aliado que as ajudaria na divulgação de seus artistas e portanto começaram a disponibilizar músicas gratuitamente em seus sites. Sim, meus amigos, eles cavaram a própria cova, dá pra acreditar?

Com a crescente popularização do Napster, e a vontade de ouvir mais músicas além daquelas disponibilizadas pelas gravadoras, discografias inteiras dos maior variados artistas começaram a ser disponibilizadas pela Internet.

Numa batalha em que o Metallica serviu como testa de ferro, as gravadoras conseguiram fazer a justiça americana decretar o fim do Napster tal como ele era conhecido, em meados do ano 2000.
Segue um vídeo exibido no VMA da época, estrelando Lars Ulrich (baterista da banda):


Nem preciso dizer que isso não adiantou de nada, não é? Programas similares ao Napster, tais como KazaA, eMule, LimeWire, Shareaza e SoulSeek fizeram com que o MP3 se espalhasse pelo mundo e facilitaram sobremaneira o acesso à música. Outras formas também foram encontradas para compartilhar música, tais como o uso de serviços de sites que hospedam arquivos (RapidShare, MediaFire, 4Shared), clientes torrent (BitComet,µTorrent), ou mesmo pelos comunicadores instântaneos como o MSN.

Como não poderia deixar de ser, o som é o Metallica, com a música do vídeo acima: I Disappear (eu queria colocar o clipe, mas a turminha do Lars não deixa).



domingo, 1 de novembro de 2009

O MP3 e a música: Entendendo a polêmica - pt1, Intro


MPEG Audio Layer III, ou MP3, é motivo de muita polêmica desde a época do Napster, dividindo opiniões entre gravadoras, artistas e consumidores de música:

As gravadoras, vêem o MP3 como uma ameaça ao seu modelo de negócios, afinal o consumidor final não precisa pagar mais nenhum tostão a elas para ouvir suas músicas preferidas.

Os consumidores de música representam o exato oposto. Não dependemos (sim, eu me incluo nesse grupo) mais das gravadoras, a música é grátis! No entanto ainda há aqueles que por questões sentimentais compram o material físico dos artistas, mas geralmente gastam seu dinheiro apenas com os trabalhos dos seus músicos preferidos.

Os artistas estão no meio desse fogo cruzado. Alguns apóiam o MP3, outros, o abominam. Tenho convicção que o pessoal do segundo grupo é aquele preocupado quase que exclusivamente com dinheiro. Segue uma demosntração deste argumento, pelo mestre Gene Simmons do Kiss:
"Não há mais nada em mim que me faça querer fazer novas músicas. Como você lança essas músicas? Como você poderá ser pago por elas, se as pessoas simplesmente as baixam de graça?"
(Fonte: Whiplash!)


A grande questão é como a música sobrevive se o dinheiro com vendagens de discos está se esgotando? Por que pagar pelo disco novo do seu artista favorito se, com o mesmo valor, é possível pagar a mensalidade de conexão com a Internet e baixar a discografia inteira em menos de um dia? Para que comprar um disco se você vai convertê-lo em MP3 para ouvir no seu player?

Nos próximos posts a visão mais detalhada de cada um dos grupos acima, a história dos mais de 20 anos do MP3 (surpreso?!) e as alternativas para a Indústria Fonográfica.


O som do post fica por conta do canadense Neil Young na sua antológica apresentação ao lado do Pearl Jam, tocando um de seus maiores clássicos: Rockin´ In The Free World.