domingo, 19 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!) - pt. 5


5. The Hellacopters - High Visibility



Esse é o último post dessa série e é sobre um disco que não mudou minha concepção de música como os anteriores, mas com certeza é um dos que eu mais ouvi na minha vida, se não for O mais ouvido.

Um dia, quando eu ainda tinha uns 16 anos eu estava assistindo à MTV, quando eu vi o clipe acima pela primeira vez. Quando ele terminou, eu estava ofegando - fiquei impressionado com a energia da música dessa banda que eu nunca tinha ouvido falar... difícil era lembrar o nome dos caras pra correr atrás do CD depois. Tive que anotar num pedaço de papel: Hellacopters - High Visibility.

O High Visibility inteiro tem um quê de Hard Rock dos anos 70, mas não tem aquela afetação típica nos vocais e nem aqueles vazio nas bases das músicas pesadas no estilo do Kiss. É... acho que é isso, parece anos 70, mas eu não tenho uma referência pra falar "olha, parece Led Zeppelin com AC/DC" não... parece Rock e do bom. Ponto.

Não espere ouvir aqui letras muito profundas ou que façam você refletir sobre algum assunto. Não, o negócio aqui é diversão, do início ao fim, sem muito compromisso, mas com ótimos solos de guitarras, um piano bem presente (isso, PIANO, não tecladinho-pentelho-anos 80), baixo bem feito e melodias fáceis, no melhor sentido possível.

Toys and Flavors, essa música que explodiu minha cabeça, foi o primeiro grande hit do Hellacopters mundo afora e também meu primeiro contato com essa banda sueca. Sim, sueca. É uma música que destaca bem todos os instrumentos, sem a burocracia de um Dream Theater, por exemplo ("ok, depois do solo de guitarra, vem o de baixo e daí o de teclado"), e além disso tem um refrão grudento demais.

Outra que foi single e que merece atenção é No Song Unheard. Pode-se dizer que é uma baladinha, mas não tem nada de muito amor aqui, a música é desacelerada e bonitinha, e só. Acho que talvez seja uma daquelas poucas baladas sinceras. O solo de piano em conjunto com a guitarra é a passagem mais bonita do High Visibility - uma coisa tão simples e tão sutil, mas que tem um feeling impressionante.

Outras músicas que destaco são Hopeless Case of a Kid in Denial, You´re Too Good (to me Baby), Throw Away Heroes e A Heart Without Home - essa com solo de duas guitarras ao mesmo tempo, não no estilo guitarras gêmeas do Iron Maiden, mas no estilo sangue nos olhos e "deixa eu solar também, porra!".

Resumindo: quer um disco de Rock bem animado, fácil de ouvir e com guitarras no talo? Anota aí: Hellacopters - High Visibility



sábado, 18 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!) - pt. 4


4. Queens Of The Stone Age - Songs For The Deaf



Antes de começar, gostaria de dizer que este post será mais longo e mais detalhado que os anteriores. Por quê? Muito já se falou sobre Beatles, Iron Maiden e Led Zeppelin, mas não existe tanto material assim sobre Queens Of The Stone Age e talvez você nem conheça a banda, então achei bacana dar uma destrinchada no assunto.

Eu sempre tento fugir do óbvio quando coloco vídeo para vocês assistirem, mas dessa vez não teve jeito. Go With The Flow é o melhor clipe do QOTSA e um dos meus favoritos de todos os tempos, tudo isso porque eu acho que é um dos poucos vídeos que captura perfeitamente o clima da música, isso sem falar dos efeitos, que são fenomenais.

Bom, mas e o álbum? O álbum é igualmente fantástico, difícil de digerir numa primeira audição, mas depois que você se acostuma com os padrões bizarros da banda, o negócio vai fácil. Ah, e antes que eu esqueça quem toca bateria nesse disco é o Dave Grohl, que mostrou nesse registro porque é considerado um dos melhores bateristas do mundo.

O Songs For The Deaf me abriu os ouvidos pra um som completamente novo e contemporâneo, coisa que até então eu era avesso, achando que só o antigo era bom. Graças ao QOTSA eu não sou uma viúva do Rock.

O disco pode ser considerado conceitual de certa forma, não porque conta uma história ou porque todas as músicas abordam um mesmo tema, mas sim porque o clima do CD é o mesmo nas 13 faixas que o compõe (na versão Deluxe são 15, com a inclusão da sensacional Mosquito Song). Além disso, as vinhetas são inspiradas numa viagem de carro que o Josh Homme (líder da banda) fez, retratando as várias estações de rádio que ele ouviu pelo caminho.

Antes de começar a escrever sobre os destaques, acho legal dividir as faixas em três grupos: as que são cantadas pelo Josh (6 músicas), as do Nick Oliveri (4 músicas) e as do Mark Lanegan (ex-Sreaming Trees) (3 músicas). A Song For The Deaf tem os vocais do Josh e do Mark, mas creditei pro primeiro porque é quem canta na maior parte da música.

Todos os singles do Songs For The Deaf são músicas do Josh, dentre eles o maior hit da banda, No One Knows, a já citada Go With the Flow e First It Giveth.

Duas músicas que têm o Homme nos vocais e que merecem bastante destaque são The Sky Is Falling e Song For The Deaf. Acho que o grande destaque da primeira é a combinação perfeita entre melodia e letra, extremamente densa e bem escrita. Destaque também para a discrepância entre o peso do instrumental e a leveza da melodia - ao final da música nem dá pra perceber que ela é tão pesada ou tão melodiosa...

Song For The Deaf, a música, é uma obra prima. A letra é extremamente bem construída e a melodia é linda. Por outro lado o instrumental é extremamente pesado e sinistro. A partir do solo de guitarra é possível ouvir uns gritos ao fundo - isso me traz à cabeça um passeio pelo inferno, num cenário avermelhado e é claro com um pouco de fogo por aí.

Eu diria que as músicas do Nick não contribuíram tanto para fazer desse álbum um dos meus preferidos de todos os tempos. Metade das que ele canta são berradas, não são ruins, mas também não são daquelas que você vai querer colocar no repeat. A minha preferida na voz do careca peladão do Rock In Rio III é Another Love Song.

Já as músicas do Lanegan estão entre as minhas preferidas do disco, acho que a Hangin´ Tree é a mais fraquinha.

Song For The Dead é um tapa bem dado na orelha. Já começa com a introdução fodástica de bateria, tem uma letra macabra e um vocal arrepiante. Impressionante como essa música ganha ainda mais força ao vivo.

God Is in the Radio é um blues extremamente pesado com ótimos solos de guitarra e tem o melhor refrão do CD inteiro - foi justamente com essa que eu comecei a "engolir" o disco. Segue de brinde pra amaciar os tímpanos:


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!) - pt. 3


3. Led Zeppelin - IV


Led Zeppelin foi e continua sendo uma das minhas maiores influências na música, desde a primeira vez que eu escutei Whole Lotta Love até hoje. Da chamada trindade do Rock clássico (incluindo também Black Sabbath e Deep Purple), o Zeppelin é a minha banda favorita. Não só pela maior diversidade entre as suas músicas mas também pela variedade de temas nas letras.

Enquanto o Sabbath busca explorar temas fantásticos (NIB, Iron Man) ou fazer críticas político-sociais (War Pigs, Sabbath Bloody Sabbath) e o Purple já não tem tanta preocupação em passar alguma mensagem nas suas letras (Smoke on the Water, Space Trunckin´), o Led Zeppelin não se importa de explorar uma gama de temas que vai desde o non-sense (The Crunge) até as mais belas poesias (Stairway to Heaven) passando por ótimas canções de amor (Since I´ve Been Lovin´ You).

E o que tem de tão especial nesse disco? Bom, pra começar o IV é recheado com alguns dos maiores clássicos do Led, tais como Black Dog, Rock And Roll e a já citada Stairway to Heaven, além das ótimas porém menos conhecidas The Battle Of Evermore e Going To California.

Outro ponto que chama a atenção é o clima do álbum. Nos dois primeiros discos o Led Zeppelin temos uma maior quantidade de músicas pesadas, no III a maior parte das músicas são calmas, inclusive tem várias acústicas ali. No IV isso já está mais equilibrado, e essa alternância entre ritmos faz com que o tracklist fique mais fácil de se ouvir.

Por fim, chamo a atenção pra capa do IV. É uma parede de uma casa abandonada, com o muro quebrado, bem no meio da parede que ainda está de pé há o quadro de um velhinho no campo. Do outro lado do muro é possível ver uma cidade do interior da Inglaterra. Acho que essa dicotomia cidade/campo é a melhor foto pra esse álbum do Zeppelin.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!) - pt. 2


2. Iron Maiden - The Best of the Beast


Esse disco foi minha porta de entrada pro Rock. Antes, eu era meio perdido na música, até ouvia um pouco de tudo, mas nada realmente me cativava de verdade. Até que um amigo meu comprou essa coletânea...

Eu tinha 14 anos e me recusava a ouvir o CD, porque tinha um certo receio dessas bandas de "rockeiros doidões e do mal". Mas um dia não teve jeito e fui "obrigado" a ouvir Iron Maiden. E não é que gostei? Pela primeira vez eu ouvia uma banda que dava ênfase ao instrumental, pela primeira vez eu notava que aquilo fazia realmente alguma diferença na letra e no clima da música. E o quão eu fiquei impressionado por aquele berro do vocalista no meio da música? Enfim, fiquei muito impressionado com aquilo tudo logo na primeira faixa: The Number of the Beast.

O Iron Maiden me abriu os portões do Rock. Abriu caminho para um estilo de música onde todos os assuntos podem ser abordados: desde religião até guerras (às vezes dá na mesma, né?), de amor à pura cólera, dos temas simples às reflexões mais complexas, etc.

Outras músicas que eu recomendo desse CD são: Fear Of The Dark (live), Run To The Hills, The Evil That Men Do, Aces High, 2 Minutes To Midnight, Wasted Years, The Trooper e Hallowed Be Thy Name. Tá citei metade do CD porque é coletânea... sorry!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os discos mais importantes (pra mim!)


Vi que um amigo meu, o @ericktex, fez uma lista dos álbuns mais importantes pra ele. Na real é mais uma corrente do Facebook com regrinhas e tudo o mais.

Bom, como não sou o maior fã de Facebook, decidi colocar minha listinha aqui até porque aqui posso fazer do meu jeito. Além do nome do álbum e da banda vou colocar também um comentário e um vídeo de cada um pra que vocês possam saber do que eu tô falando e não fiquem viajando.

Ah, só lembrando, essa é a lista dos álbuns mais importantes pra mim e só pra mim. Não to querendo dizer que são os melhores discos do mundo, mas sim que fizeram diferença na minha vida.

1. The Beatles - Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band



Beatles é minha banda favorita e eu escolhi o Sgt Pepper´s não porque é considerado pela crítica como o mais importante disco dos Beatles e até mesmo da história do Rock, mas sim porque foi o primeiro disco deles que eu ouvi. É claro que eu já tinha ouvido várias músicas dos caras de Liverpool, eu inclusive tinha aquela coletânea "1", mas não é nem de longe a mesma coisa.

Se você é da turminha que não gosta de Beatles, vou te dizer uma coisa: 80% das pessoas que não gostam da banda, não a conhecem de verdade. Mas aí você vai me dizer "mas eu conheço Hard Day´s Night, Can´t Buy Me Love, Yellow Submarine, Get Back, etc.". E eu te digo que quando eu conhecia essas músicas eu também não gostava de Beatles também.

Sgt Pepper´s foi minha jogada "all-in" com os Beatles. Eu tinha lido no Whiplash! sobre a importância que o disco teve pra história do Rock e todas as histórias que o rodeiam e me interessei ( se tiverem interesse, leiam: http://tinyurl.com/2whes6b). Vi o CD pra vender numa promoção e pensei "é agora ou nunca". E foi naquele momento, quando eu terminei de ouvir o disco, que eu virei fã dos caras.

Bom e por que ele é o mais importante pra mim? Porque ali eu percebi que uma banda não deve ter medo da sua própria música, a criatividade não deve ter limite. Sua banda quer gravar um disco fingindo que é outra banda? Então grava! Quer colocar barulho de animais nas suas músicas? Coloca. Quer gravar uma música só com instrumentos indianos? Vá em frente! Quer compor uma música baseada numa notícia de jornal? Compõe! Aliás é essa aí que está no vídeo: She´s Leaving Home.

Eu poderia ter indicado algumas mais famosas como Lucy In The Sky With Diamonds, With a Little Help From My Friends (é, aquela música que tocava no início do Anos Incríveis na versão do Joe Cocker) ou A Day In The Life. Mas acho que She´s Leaving Home é das mais fortes do disco, principalmente por causa da letra que conta a história de uma menina que foge de casa onde tinha todo luxo para buscar a única coisa coisa que ela não tinha: diversão.

Fun is the one thing that money can´t buy
...

Bom, pra garantir a qualidade do texto, eu continuo amanhã.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O velhinho e o quadro


Às vezes a gente reclama da nossa má sorte e como tudo parece dar errado pra nós, não é? Mas quando você estava por aí chutando as pedras e andando emburrado pelas ruas, já se deparou com alguém que realmente enfrenta uma baita dificuldade todo dia e ainda assim é feliz?

Quero dizer, você já viu alguém com uma deficiência quando você está revoltado? Eu já vi e vou dizer que senti vergonha de mim mesmo.

Uma vez, quando eu estava de saco cheio do meu antigo emprego de telemarketing, da faculdade e de ter que pegar aquele trem da Barra Funda até a Lapa, eu encontrei um grupo de cegos conversando animadamente sobre como eles estavam aprendendo muito na aula de braille.
Eu reclamando das minhas coisas.

De vez em quando, encontro o mesmo cara com deficiência física no caminho para o trabalho. Ele faz um esforço tremendo pra andar e mesmo assim está sempre bem arrumado e nunca se atrasa para os compromissos que ele assumiu.
Mas eu me atraso, porque tenho preguiça de levantar da cama.

Fui atendido numa loja de roupas por uma mulher que só tinha um braço, o outro só ia até o cotovelo. Era sábado, ela estava de muito bom humor.
Aquela mulher sabe dobrar roupa melhor que muita gente que eu conheço (me incluo nessa lista).

Você já viu alguém com Síndrome de Down trabalhando numa barraquinha de feira no domingo? Eu já, e vou te dizer, ele faz um baita esforço pra poder te dar o melhor atendimento possível e presta muita atenção no que faz.
Quantas vezes você já deixou de fazer o seu serviço direito só porque estava com preguiça de pensar um pouco?

Agora vamos falar de uma outra deficiência, a de tempo. Aquela de que todos os idosos sofrem. Com certeza você tem um avô ou avó que você acha mala, ou então conhece alguém nessa situação, certo? Vou contar uma história que aconteceu comigo e me abriu a cabeça:

Um dia eu entrei no ônibus e estava com pressa. No caminho pra minha poltrona acabei tropeçando num quadro que um velhinho estava levando consigo (provavelmente um presente para seus filhos ou netos). Parei, olhei pro velho e vi que ele estava puxando o quadro mais para si. Pedi desculpas. Ele deu um sorriso amigável, disse que não tinha problema e...
Eu passei reto e fui me sentar. Só depois de uns minutos eu percebi que aquele velhinho ia me dizer alguma coisa sobre o quadro, pois quando segui em frente ele parecia ter começado uma frase com "esse quadro aqui é..."

O raio que partiu minha cabeça nesse momento me chamou a atenção pro fato de como o tempo pareceu passar de forma diferente para nós dois. Eu, que tenho muito tempo pela frente, estou sempre tentando pular os momentos ditos inúteis, mas o velhinho, que tem pouco tempo e é muito mais sábio que eu, aproveita todos aqueles que lhe restam.

A próxima parada do ônibus só aconteceria daqui a 4 horas e mesmo assim o velhinho foi sozinho visitar seus parentes e levou um presente. Talvez ele tenha comprado o quadro, ou talvez tenha pintado o quadro, talvez aquele quadro tinha alguma mensagem importante para família... Infelizmente eu nunca vou saber. Mas com certeza, tudo que ele queria dizer com aquela viagem e com o presente era que amava seus parentes.
E ainda assim corria o risco de ser chamado de chato pela família.

Agora vocês conseguem entender meu ponto?
Quem suporta as maiores dores são aqueles que não as deixam transparecer. São aqueles que não reclamam da má sorte, são aqueles que acordam e realmente têm que enfrentar as maiores dificuldades do mundo quando se levantam.

Apesar de tudo, eles são capazes de lhe oferecer sorrisos amigáveis quando cruzam o seu caminho...

Dúvidas


O que acontece quando você diz adeus e a pessoa não entende?

O que acontece quando tudo o que você quis dizer com aquilo era "desculpa, não consigo te dar o que você merece. Melhor você seguir em frente"?

O que acontece quando você arranca um pedaço da sua própria alma e oferece pra alguém que despreza o seu ato porque não entende?

O que acontece quando você olha pra trás e vê que você simplesmente deveria ter dividido o fardo ao invés de colocar todo o peso nos seus ombros?

O que acontece quando alguém simplesmente destrói tudo aquilo que você construiu com tanto suor e sangue?

O que acontece quando os olhos verdes desbotam na falta de esperança?

O que acontece quando você acha que finalmente encontrou alguém que pode fazer o dia nascer de novo?

O que acontece quando essa pessoa está tão perto mas tão longe? Quando a situação inteira é adversa?

O que acontece quando você conversa com a pessoa e descobre coincidências incríveis e uma grande facilidade pra conversar que você nunca viu?

O que acontece quando você tem medo de que você nunca mais consiga construir tudo aquilo de novo, simplesmente porque suas veias já estão secas?

O que acontece quando... todo o tempo passar?